Clássicos de aventura freeware: jogos de apontar e clicar grátis
No fim dos anos 1980 e nos anos 1990, a aventura de apontar e clicar foi um dos grandes gêneros dos jogos de computador. Você guiava um personagem por cenários pintados, juntava objetos estranhos, convencia guardas desconfiados e resolvia enigmas que iam do elegante ao completamente absurdo. A maioria desses jogos ainda é vendida ou simplesmente não está disponível, e quem detém os direitos nunca permitiu que fossem distribuídos de graça. Alguns são diferentes: anos depois do lançamento, os donos decidiram torná-los freeware, com termos escritos que deixam qualquer pessoa compartilhá-los. O FredyGames hospeda quatro deles, e este guia apresenta cada um, explica o software que os roda e dá alguns conselhos para quem está chegando ao gênero.
Quatro jogos, quatro estúdios
Beneath a Steel Sky (1994)
Beneath a Steel Sky é uma aventura cyberpunk da Revolution Software, publicada pela Virgin Interactive para DOS e Amiga. Você é Robert Foster, levado do deserto onde cresceu e largado em Union City, uma metrópole vertical em que os pobres trabalham no alto das torres e os bem de vida moram embaixo. A única companhia dele é Joey, um robô sarcástico cuja personalidade vive numa placa de circuito e que pode se mudar para qualquer corpo de máquina que você encontrar.
O quadrinista Dave Gibbons, mais conhecido por Watchmen, criou os cenários e os personagens. O tom mistura uma história séria com um fluxo constante de piadas secas. A Revolution liberou a versão em CD, com vozes completas, como freeware em 2003, junto com o projeto ScummVM, e é essa a versão que você joga aqui.
Flight of the Amazon Queen (1995)
Flight of the Amazon Queen é uma comédia no estilo dos antigos seriados de aventura, feita na Austrália por John Passfield e Steven Stamatiadis, da Interactive Binary Illusions, e publicada pela Renegade Software. Joe King, piloto de aluguel com um único hidroavião surrado, deveria levar uma estrela de cinema até a Amazônia para uma sessão de fotos. É claro que a viagem dá errado, e ele vai parar numa selva cheia de guerreiras amazonas, pigmeus surpreendentemente altos, exploradores atrapalhados e uma trama bem maior.
O humor é escrachado e rápido, e os enigmas muitas vezes premiam a ideia mais boba possível. Os autores liberaram a versão em CD com vozes como freeware em 2004, também pelo ScummVM.
Lure of the Temptress (1992)
Lure of the Temptress foi o primeiro jogo da Revolution Software, publicado pela Virgin Games. Diermot, um homem comum metido numa batalha perdida, acorda numa cela, numa cidade agora governada por uma feiticeira e seus capangas brutamontes. A grande ideia do jogo era o que a Revolution chamou de Virtual Theatre: os moradores fazem seus próprios trajetos, vão trabalhar e conversam entre si, e parte do jogo é descobrir quem pode ajudar e onde encontrar cada um.
É mais curto e mais simples que os jogos seguintes do estúdio, mas a cidade viva ainda parece incomum. A Revolution o liberou como freeware, com permissão para distribuir. No FredyGames ele roda como o programa original de DOS, no DOSBox. Um aviso prático: o original começa com uma tela de proteção contra cópia, e você a pula abrindo o menu no alto da tela e escolhendo Restart.
Sfinx (1997)
Sfinx vem da Polônia, do estúdio Laboratorium Komputerowe Avalon (L.K. Avalon). Duas crianças, Vincent e Anna, moram no mesmo prédio quando todos os aparelhos elétricos do edifício param de funcionar. Um professor distraído explica que um alienígena minúsculo caiu por um buraco negro e foi parar ali perto, e os dois saem para ajudá-lo a voltar para casa, trocando favores com uma galeria de vizinhos excêntricos.
Você controla as duas crianças e troca entre elas quando quiser, e muitos enigmas dependem de escolher quem faz o quê. A L.K. Avalon liberou o jogo como freeware, e a tradução para o inglês de Arnaud Boutonné e Thierry Crozat é a versão hospedada aqui. As vozes continuam em polonês, com o texto em inglês nos balões.
Como o ScummVM funciona
Três dos quatro jogos rodam no ScummVM, então vale saber o que ele é.
O ScummVM nasceu em 2001 como um jeito de jogar as aventuras da LucasArts em computadores modernos. O nome vem do SCUMM, o Script Creation Utility for Maniac Mansion, sistema que a LucasArts usava para criar esses jogos. Com os anos, ele foi muito além desse motor: hoje suporta centenas de jogos feitos em dezenas de motores diferentes, de muitos estúdios.
A ideia central é que o ScummVM não é um emulador. Ele não imita um PC dos anos 1990 rodando o programa original. Em vez disso, os desenvolvedores reimplementam o motor de cada jogo, o programa que lê os roteiros, as imagens e os sons do jogo e os transforma em algo jogável. Eles fazem isso estudando como o original se comporta ou, às vezes, a partir do código-fonte cedido pelo estúdio. O ScummVM então lê os arquivos de dados originais do jogo, sem mudanças. Essa abordagem tem consequências bem-vindas: os jogos rodam em sistemas que os criadores nem imaginavam, defeitos das versões originais podem ser corrigidos, e recursos como salvar a qualquer momento funcionam do mesmo jeito em todos os jogos.
Isso também explica por que o ScummVM nunca inclui os jogos. Ele é software livre sob a GNU GPL, e os arquivos de dados continuam pertencendo aos donos. Para alguns títulos, entre eles os três daqui, os donos concordaram em liberar os dados como freeware, e o projeto ScummVM distribui esses pacotes no seu site, com os textos de licença originais.
No FredyGames, compilamos o ScummVM para o navegador com o Emscripten, uma ferramenta que transforma C++ em WebAssembly, e incluímos só os motores que os nossos jogos usam. Os arquivos do jogo são servidos exatamente como estão nos pacotes freeware, com o leia-me ao lado. O primeiro carregamento é grande, de uns 40 a 80 MB conforme o jogo, contando o motor, porque tudo é baixado antes da primeira cena; depois disso o navegador costuma guardar uma cópia em cache. O código-fonte completo da nossa build do ScummVM está na página de licenças, como a GPL exige.
Freeware não é abandonware
Jogos comerciais antigos costumam ser chamados de "abandonware" quando ninguém parece vendê-los mais. A palavra não tem valor jurídico: um jogo continua protegido por direitos autorais, esteja à venda ou não, e só quem detém os direitos pode autorizar cópias. O FredyGames não hospeda abandonware.
Estes quatro jogos são diferentes porque cada detentor dos direitos publicou uma licença que permite explicitamente a redistribuição gratuita. Os termos variam um pouco, mas têm o mesmo núcleo: o jogo pode ser copiado e compartilhado de graça, em qualquer meio, desde que o leia-me ou o arquivo de licença e os avisos de copyright fiquem intactos e ninguém cobre pelo jogo em si. Mantemos esses arquivos junto do jogo, colocamos o link para o texto original em cada página e nunca cobramos para jogar. Um rótulo de freeware sem termos que permitam redistribuir não bastaria. O nosso guia sobre como conferimos cada licença explica essas regras em detalhe.
Como jogar uma aventura de apontar e clicar
Se você nunca jogou uma, alguns hábitos deixam o gênero muito mais divertido.
Examine tudo. Olhe cada objeto, porta e pessoa. As descrições costumam ser engraçadas, e é nelas que mora a maioria das dicas. No Sfinx, o nome do que está sob o ponteiro aparece no painel, o que mostra o que vale a pena clicar.
Pegue tudo o que não estiver pregado. Heróis de aventura têm bolsos sem fundo (menos no Sfinx, em que cada criança tem só quatro). Um item que parece inútil agora quase sempre vai servir depois.
Combine e use os itens nas coisas. Muitos enigmas se resolvem usando um item em outro, ou numa pessoa ou objeto da cena. Escolha o item no inventário e clique onde quer usá-lo. Se empacar, experimente cada item no que está bloqueando o caminho.
Converse com todo mundo, e volte depois. Passe por todas as opções de diálogo. Muita gente só diz algo útil depois da conversa fiada, e o que dizem pode mudar com os acontecimentos da história. Em Lure of the Temptress as pessoas também andam pela cidade, então quem você procura pode só estar em outro lugar agora.
Pense como o jogo. Beneath a Steel Sky é quase sempre lógico; Flight of the Amazon Queen muitas vezes prefere a piada. Se a solução sensata falhar, tente a boba.
Salve sempre, e guarde vários saves. Alguns desses jogos, principalmente Beneath a Steel Sky, têm momentos em que você pode morrer. Salve antes de tentar qualquer coisa arriscada.
Saves e controles no nosso player
Cada jogo salva pelos próprios menus, e esses saves ficam no seu navegador:
| Jogo | Salvar e carregar | Outras teclas úteis |
|---|---|---|
| Beneath a Steel Sky | F5 abre o painel de controle (salvar, carregar, opções) | Esc pula uma cena, . (ponto) pula uma fala |
| Flight of the Amazon Queen | F5 abre o diário do Joe; F11 / F12 salvam e carregam rápido | Espaço pula uma fala, Esc pula uma cena |
| Sfinx | F5 salva, F7 carrega | Esc fecha um balão e pula a introdução |
| Lure of the Temptress | Menu no alto da tela (salvar, carregar, recomeçar) | Clique direito abre a lista de ações |
Nos três jogos do ScummVM, Ctrl+F5 abre o menu do ScummVM, que tem as suas próprias opções. O mouse é o melhor jeito de jogar: na tela de toque, um toque vale como clique esquerdo, o que basta para o Sfinx e para a maior parte de Flight of the Amazon Queen, mas Beneath a Steel Sky precisa do botão direito para muitas ações. O nosso guia sobre jogar no navegador explica onde os saves ficam e o que acontece com eles quando você limpa os dados do site.
Para onde ir depois
Se você gosta de histórias que se resolvem pensando, e não lutando, dois outros cantos do catálogo merecem uma visita. Soyuz 404 é uma aventura curta de apontar e clicar feita para a web em só 13 kilobytes; o nosso guia sobre jogos de navegador e js13kGames tem outros parecidos. E, antes do apontar e clicar, as aventuras eram digitadas: as aventuras de texto do FredyGames, do Zork I a obras modernas, são as raízes do gênero, e o nosso guia de aventuras de texto para iniciantes explica como jogá-las.