O que é homebrew? Jogos novos para consoles antigos
A maior parte dos jogos de console do FredyGames foi feita muito depois de os consoles saírem das lojas. São jogos homebrew: jogos novos, criados por desenvolvedores independentes para hardware antigo, muitas vezes décadas depois do último lançamento oficial. Este guia explica o que a palavra quer dizer, por que tanta gente continua fazendo isso, no que o homebrew difere dos sites de ROMs que copiam jogos comerciais e como apoiar quem cria esses jogos.
O que quer dizer "homebrew"
No mundo dos consoles, homebrew ("feito em casa", numa tradução livre) é o software criado por gente de fora do esquema oficial. Quando o NES, o Game Boy, o Mega Drive ou o Atari 2600 estavam à venda, lançar um jogo exigia um acordo com o fabricante, um kit de desenvolvimento e uma fábrica de cartuchos. Quem faz homebrew não tem nada disso. Trabalha a partir de documentação pública, do conhecimento obtido por engenharia reversa e compartilhado pela comunidade e de ferramentas gratuitas, e escreve o jogo do zero.
O resultado é um jogo de verdade novo. Não é cópia, hack nem versão modificada de um cartucho comercial. O código, os gráficos, a música e a história pertencem a quem os criou, e é exatamente por isso que essas pessoas podem decidir deixar os outros compartilharem o jogo.
O homebrew não se limita aos consoles clássicos. Algumas plataformas já nasceram para isso: o Arduboy é um portátil do tamanho de um cartão de crédito, pensado para ser programado pelos donos; o Uzebox é um console do tipo "faça você mesmo", com projeto aberto; e os "consoles de fantasia", como o TIC-80 e o WASM-4, são máquinas imaginárias que só existem como software, com limites propositalmente apertados de cores, memória e tamanho de tela. Eles pegam o espírito do hardware antigo sem fingir que são ele. Falamos mais deles em consoles de fantasia e em Arduboy e Uzebox.
Por que fazer jogos para máquinas antigas?
Não existe uma resposta só, e perguntar a uma dúzia de desenvolvedores daria uma dúzia de respostas. Alguns motivos aparecem sempre.
- Limite é ferramenta de criação. O Game Boy tem quatro tons de cinza numa telinha; o Atari 2600 tem 128 bytes de RAM. Com tão pouco espaço, toda ideia precisa se justificar, e muitos designers acham isso libertador, não frustrante.
- Entender como o computador funciona de verdade. Escrever para um console sem sistema operacional é conversar direto com o hardware: sincronizar a imagem, encaixar os gráficos em blocos, espremer a música em poucos canais. Muita gente diz que aprendeu mais assim do que em qualquer curso.
- Carinho por uma plataforma. Muitos autores cresceram com essas máquinas e querem acrescentar algo à biblioteca delas, às vezes o jogo que gostariam que tivesse existido.
- Terminar alguma coisa. Um jogo pequeno de console cabe no trabalho de uma pessoa ou de uma equipe minúscula. Game jams e competições dão prazo e público, e um número surpreendente de jogos homebrew começou como inscrição numa jam.
As ferramentas também melhoraram. Hoje há montadores, compiladores de C, conversores de gráficos, trackers de música e emuladores precisos para todos os grandes sistemas retrô, todos gratuitos, além de fóruns e wikis cheios de documentação. Tem até quem use linguagens modernas: The Purple Night, de Game Boy Advance, foi escrito em Rust com uma biblioteca de código aberto.
Homebrew não é site de ROM
Essa diferença importa, e é por causa dela que o FredyGames pode existir.
Um site de ROMs oferece cópias de jogos comerciais: os cartuchos que as empresas venderam, extraídos e publicados sem a permissão de quem detém os direitos. Por mais antigos que sejam, esses jogos continuam protegidos por direitos autorais, e chamá-los de "abandonware" não muda nada. Baixar ou compartilhar esses arquivos é, na melhor das hipóteses, uma zona cinzenta, e quase sempre nem isso.
Com o homebrew é o contrário. O autor é dono do jogo e escolhe como ele pode ser usado. Muitos publicam o trabalho sob uma licença aberta, que dá a todo mundo permissão por escrito para copiar e compartilhar, às vezes junto com o código-fonte. Quando o FredyGames hospeda um jogo homebrew, é porque a licença do autor permite isso de forma explícita, e cada página de jogo diz qual é a licença e onde o autor publicou o jogo. O nosso guia sobre como conferimos cada licença explica o processo em detalhe.
Os emuladores também merecem uma palavra. Emulador é um software comum que imita um console, e escrever um é legal. O que importa é o que roda nele. Os emuladores deste site rodam homebrew cujos autores disseram sim, e eles próprios estão sob licenças que nos permitem usá-los.
Licenças abertas em poucas palavras
A maioria dos nossos jogos homebrew usa uma de poucas licenças. Não é preciso ser advogado para entender o básico:
| Família de licença | O que permite | O que pede |
|---|---|---|
| MIT, BSD, zlib, ISC | Copiar, compartilhar, modificar e até vender | Manter o aviso de copyright e o texto da licença |
| GPL | As mesmas liberdades | Quem distribui o jogo também precisa oferecer o código-fonte |
| CC0 / domínio público | Qualquer coisa | Nada |
| CC BY, CC BY-SA | Compartilhar e adaptar arte, música e texto | Dar crédito ao autor; com SA, adaptações seguem os mesmos termos |
Código e conteúdo muitas vezes têm licenças diferentes. O Tobu Tobu Girl Deluxe, por exemplo, tem o código sob MIT e os gráficos, os sons e a música sob Creative Commons Atribuição, e o µCity junta código GPL com arte e música em CC BY-SA. Quando uma licença como a GPL exige que o código-fonte acompanhe o jogo, o FredyGames hospeda esse fonte ao lado dele, e a página de licenças traz os detalhes.
Um passeio pelo catálogo
O homebrew passa por todos os gêneros e todas as gerações de hardware. Aqui vai uma pequena seleção entre as plataformas do FredyGames.
- Thwaite, NES. Um jogo de defesa antimísseis em que você protege uma fileira de casas com fogos de artifício. O autor tem uma longa série de homebrew para NES e Game Boy sob licenças livres.
- Tobu Tobu Girl Deluxe, Game Boy. Um plataforma vertical de arcade em que você quica nos inimigos para resgatar um gato, remasterizado em cores para o Game Boy Color e publicado como código aberto.
- µCity, Game Boy Color. Um simulador de cidade completo, com zoneamento, energia, trânsito e orçamento, espremido num cartucho de portátil.
- Miniplanets REMIX, Mega Drive. Um plataforma em que cada fase é um planetinha cujo chão se curva sob os seus pés.
- Dragon Blaster, Master System. Uma corrida de um minuto por pontos, com armas que combinam elementos e arte de licença livre tirada do OpenGameArt.
- Pipes 2600, Atari 2600. Uma corrida para montar o encanamento antes de a água chegar, num console de 1977.
- Mystic Balloon, Arduboy. Um plataforma de fases em labirinto em que os balões são ao mesmo tempo o seu pulo e a sua vida.
- The Purple Night, Game Boy Advance. Um jogo de ação e plataforma em que a espada é a barra de vida e encolhe a cada golpe que você leva.
Se uma plataforma chamar a sua atenção, os nossos guias de homebrew de NES e de homebrew de Game Boy vão mais longe. Todos rodam no navegador. Se você ainda não conhece os players, o guia jogos retrô no navegador explica as teclas, os gamepads e os saves de cada sistema.
Como apoiar quem faz homebrew
Homebrew é, quase sempre, trabalho feito por gosto, e quem faz raramente ganha muito com isso. Algumas atitudes fazem diferença de verdade:
- Visite a página do autor. Toda página de jogo do FredyGames tem o link para onde o autor publicou o jogo, seja uma página no itch.io, um site pessoal ou um repositório de código. É lá que ficam as atualizações, os outros jogos e o contato.
- Pague o quanto quiser, se o autor pedir. Muitos oferecem os jogos de graça, com pagamento opcional no itch.io. Se você gostou, é o agradecimento mais direto.
- Compre edições físicas. Alguns jogos homebrew saem em cartuchos de verdade para os consoles originais, pelos próprios autores ou por pequenas editoras. Se você ainda tem o aparelho, é um jeito de apoiar a cena e ganhar um objeto bonito.
- Deixe um retorno. Um comentário, uma estrela num repositório ou um relato de bug bem escrito valem mais do que parece para quem trabalha sozinho.
- Compartilhe do jeito certo. Mande o link da página do autor ou da página do jogo aqui, e mantenha os créditos e a licença quando repassar o jogo.
Resumindo
Homebrew é trabalho novo de gente que ama máquinas antigas, e ele é compartilhado porque os autores escolheram compartilhar. É isso que o separa das ROMs comerciais copiadas, e é a base de tudo no FredyGames. Escolha uma plataforma, aperte Jogar e, se um jogo conquistar você, vá contar isso para quem o fez. E se palavras atraem você mais do que pixels, o guia de aventuras de texto para iniciantes é uma boa próxima parada.